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Guia orienta escolas municipais na gestão eficiente de energia e de água

O Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) lançou o Guia para Escolas Eficientes: Diretrizes para a gestão de energia e água em escolas municipais. As publicações já estão disponíveis no site da instituição e apresentam resultados das ações desenvolvidas em parceria com as prefeituras do Rio de Janeiro e de Florianópolis por meio do Programa Cidades Eficientes, iniciativa do CBCS com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS).

O material reúne orientações para a melhoria da eficiência no consumo de energia e água, organizadas em sete áreas: iluminação, ventilação e ar-condicionado, equipamentos, geração fotovoltaica, aquecimento de água, uso de água e gestão do consumo. Além disso, o guia inclui diretrizes para novas edificações com classificação A pelo PBE Edifica. 

De acordo com a arquiteta e Doutora Maria Andrea Triana, coordenadora Técnica do Programa Cidades Eficientes do CBCS na implementação de ambas cidades,  uma boa operação e manutenção das edificações têm alto potencial de redução do consumo de energia e água nas escolas proporcionando também conforto aos usuários, alunos e professores. Igualmente, informações detalhadas de consumo permitem definir metas de redução e avaliar o impacto das medidas adotadas. Ela recomenda o uso do guia pelas escolas de forma geral.  “O capítulo ‘Oportunidades de economia de energia e água nas escolas’ apresenta uma série de recomendações técnicas que podem ser  implementadas nas escolas dos municípios no Brasil”, explica.

As recomendações são direcionadas a tomadores de decisão das escolas, usuários diretos — como equipes administrativas, professores e alunos — e às secretarias municipais de Educação. As escolas representam parte significativa da infraestrutura pública municipal e concentram parcela elevada das despesas operacionais, especialmente em energia elétrica e água.

As cartilhas também apresentam os resultados do diagnóstico do consumo de energia e água realizado no estoque escolar dos municípios  que identificou oportunidades de eficiência energética e redução do consumo de água nas edificações escolares, possibilitando ter uma visão macro do estoque de escolas, e uma visão micro, de cada edificação. 

Ainda a cartilha do Rio de Janeiro traz os resultados das Gincanas Energéticas e de Água realizadas em duas escolas do município. A gincana energética é uma atividade colaborativa realizada em grupo que propõe a sensibilização e a disseminação de conhecimento de forma lúdica e prática, na qual são identificadas oportunidades de melhorias de baixo ou nenhum custo, visando a eficiência energética da edificação.

 

Panorama em Florianópolis

Em Florianópolis, as escolas e creches representam 48% das 267 edificações municipais cadastradas na plataforma de gestão, desenvolvida pelo Programa Cidades Eficientes e implementada no município. Em 2023, os prédios da Secretaria de Educação responderam por 46% do consumo de energia e por 48% do custo total com eletricidade gastos pelo município nas edificações. 

Com o objetivo de identificar oportunidades de eficiência energética e redução do consumo de água, foi realizada uma pesquisa nas escolas do município por meio de um formulário com 59 perguntas, possibilitando ter uma visão macro, do estoque de escolas, e uma visão micro, de cada edificação. Foram registradas respostas de gestores de 52 das 80 creches da cidade (o que corresponde a 65% das creches) e de 25 das 43 escolas (58% das escolas), totalizando 77 respostas (63% dos edifícios da Secretaria Municipal de Educação). O levantamento mostrou que 68% das edificações já possuem equipamentos de ar-condicionado mais eficientes, com Etiqueta Classe A ou Selo Procel. Contudo, 15% delas apresentam potencial de economia, pois utilizavam equipamentos classificados nas categorias C, D, E e F de eficiência energética. A substituição desses aparelhos por modelos mais eficientes poderia resultar em uma economia de 30% a 50% no consumo de energia com climatização nessas escolas.

Em relação à água, a pesquisa apontou dados importantes com relação à possibilidade de instalação de equipamentos eficientes, uma vez que 56% das torneiras eram do tipo convencional, sem fechamento automático, e cerca de 46% não contavam com arejadores. O uso de equipamentos economizadores de água representa alto potencial de economia no consumo. Os resultados poderiam ser ainda mais expressivos com a ampliação do uso de descargas de duplo fluxo (3 e 6 litros) nas bacias sanitárias.As conclusões resultam de iniciativas como auditorias e levantamentos realizados nas escolas.

Panorama no Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, as edificações escolares correspondem a 75% das unidades públicas mapeadas e respondem por 36% do consumo municipal de energia. O levantamento do diagnóstico realizado no estoque escolar considerou os dados apontados nos 1.137 questionários respondidos, equivalente a  71% do total enviado. A grande maioria das lâmpadas utilizadas nas edificações escolares são do tipo LED, mais eficientes, e cerca de 90% das geladeiras e freezers existentes possuem a Etiqueta Classe A ou Selo Procel. Entre as oportunidades de economia com retorno financeiro rápido apontadas está a substituição de 33% das lâmpadas existentes, cerca de 92,1 mil unidades ainda não convertidas para LED, que apresenta taxa de retorno estimada de 35% ao ano, considerando a vida útil de 10 anos. Além disso, a instalação de sensores de presença em áreas como banheiros, corredores e quadras poderia alcançar retorno anual superior a 500%.

Para Clarice Degani, diretora Executiva do CBCS, uma gestão eficaz permite que as prefeituras direcionem recursos para as atividades pedagógicas e fortaleçam o potencial de engajamento e aprendizado de toda a comunidade escolar.

Resultados esperados

Ao aplicar as diretrizes descritas no guia, escolas e secretarias municipais podem alcançar:

  • Redução de custos: diminuição dos gastos com energia, água e gás.

  • Sustentabilidade ambiental: uso racional dos recursos e alinhamento às metas de mitigação de emissões.

  • Melhoria da qualidade do ar: ambientes mais adequados à permanência e concentração.

  • Conforto térmico e lumínico: melhor aproveitamento da ventilação e iluminação natural.

  • Aprimoramento da operação e manutenção: rotinas mais eficientes e maior durabilidade dos equipamentos.

O Guia para Escolas Eficientes está disponível para download no site do programa Cidades Eficientes. Clique aqui para acessar.